Ela é apenas bastante complexa, extremamente sensível e carente, alguém inseguro, pessimista e sem auto-estima. Desde que ela se lembra, já há muito que procura a sua "cara-metade"... porventura, porque desde há muito tempo que ela necessita de algo mais profundo, mais intenso, mais verdadeiro que ela não consegue encontrar naqueles que a rodeiam... Ela havia idealizado o seu príncipe encantado... e tem a esperança que ele irá aparecer um dia...
Ela tem bem vincado no seu coração o seu retrato: ele é alguém de cabelos negros, olhar meigo e profundo, sorriso aberto e verdadeiro, suficientemente atencioso, carinhoso, seguro de si mesmo, sincero, compreensivo... Alguém que simplesmente estivesse com ela nos bons e maus momentos, que a apoiasse, sobretudo, e que estendesse sempre uma mão amiga e proferisse algumas palavras capazes de lhe fazer sentir melhor.
No fundo, o que ela quer é que alguém lhe ofereça, aquilo que nunca ou raramente lhe ofereceram: AMOR.
Talvez, uma vez mais, ela esteja a ser demasiado perfeccionista (ou até pessimista) contudo, quem sabe, esse alguém exista! Claro que as características físicas são apenas secundárias. Ela apenas acrescentou o retrato físico, como forma de dar mais vida, como modo de complementar o seu retrato imaginário e idealizado do seu "incatatus princeps" ou talvez porque a imagem de alguém de um passado recente ainda esteja no seu coração.
Ela, ser frágil e ansioso, desespera diariamente, pois dia para dia, hora para hora a vida parece-lhe mais escassa e ela necessita urgentemente de uns braços, de um peito, de umas mãos, de um sorriso, de um colo... Angustiada, ela chora, chora... repetidamente insulta-se!Porquê que ela é assim? Chora pois ela ainda não conseguiu encontrar amor, carinho, atenção... Insulta-se, porque julga estar a ser parva, pensa estar a exagerar... talvez esteja a precipitar-se, ou possivelmente não... desde há muito, aliás há tanto tempo que ela não recebe amor... Tempo esse suficiente, para que nasçam lágrimas...
Ela pela milionésima vez foge para o seu refúgio... o seu quarto... onde apenas tem como companheiras a sua pobre almofada salgada, a sua caneta farta de escrever situações infelizes e complicadas, e a sua folha branca, prestes a ser preenchida com outros desabafos, outro turbilhão de ideias, sentimentos, por vezes pouco claros.
Ela já não consegue escrever... Uma vez mais, a folha de papel e a esferográfica desempenham o papel de confidentes...
Isto não é uma hipérbole... Não, antes fosse, isto é a minha realidade... Ela sou eu.

Seria por parte minha ousadia
ResponderEliminarDizer-te que quando a lia
Eu também me via.
E se isso, não for pra tanto
Desabafo e pranto de uma pessoa dramática
Aplausos lhe dou minha querida
Por descrever minha vida
De forma não demasiado exagerado.
Parabéns! :)
Bom fim de semana!