domingo, 23 de outubro de 2011

Palavras ao vento...

  


    Não foi de ânimo leve que decidi esquecer-te, seja por que meio for. Além de tudo, determinei, ainda que a muito custo, que tudo farei para cortar as mais finas teias que ainda me prendem a ti.
     Sei que vai custar um pouco, mas se ousar pôr em causa tudo aquilo que te separou de mim, conseguirei perceber que, afinal não me amavas como eu merecia e como, tantas vezes, te supliquei que me amasses.
     Aposto, que já não te lembras como era quando eu te dizia que te amava e em resposta obtinha o mais perturbador dos silêncios. Aposto que não adivinhas o que sofri quando te pedia que fizesses amor comigo e tu dizias que querias ver qualquer coisa na televisão. Hoje acredito, piamente que nem sequer te importavas quando me vias a chorar pela tua indiferença.
    Sabes, agora olho para trás e vejo que desperdicei o meu amor. Vejo que me entreguei a alguém que, apesar do amor que lhe tinha, não merecia ter o meu corpo a uma disposição quase pecaminosa. Quero acreditar que algo bom nasceu das nossas uniões, ainda que loucas e selvagens, dos corpos cobertos por um calor intenso, ao qual se misturava o odor do sémen que te saía desbragado. Mas não consigo!
     Tenho esta certeza atordoante de uma vida desperdiçada, de sentimentos deixados à deriva, de um desejo ardente por ti que não cheguei a consumar.
    A meu lado, na cama, terei o vazio mais doce e menos egoísta que a humanidade alguma vez viu.
     Não te iludas, a pensar que me dou bem contigo. Simplesmente, tenho-te demasiado em mim para te começar a odiar.
    Aposto, que pensavas que o amor que te tenho seria o suficiente para te olhar com um brilho nos olhos e de pensar em ti com a saudade no coração.
    Foste embora cedo demais. Ainda não tinha feito todo o amor que queria fazer contigo. Ainda não sabia de cor todos os cantos do teu corpo. Ainda não tinha na boca o sabor da tua pele. Faltava honrar-te a vida com todo o meu ser, à lei de ter nascido apenas para te amar.
    Todos os dias acordo com a cabeça a viver no presente e tu não fazes parte dele. No teu lugar está uma mancha, a mais preta que já vi. O resto está em branco, mesmo à espera que eu comece a colorir.
    Lembras-te de como gostavas quando eu te agarrava no pénis e to segurava em direcção à boca?! Lembras-te das vezes que me pediste para que to fizesse?! Lembras-te de quando eu te pedia, quase humildemente, para que perdesses a tua língua na minha vagina sedenta e tu dizias redondamente que não?! Aposto que pensavas que eu ficava chateada, mas também aí te enganaste. Eu sentia uma imensa tristeza…Egoísta como tu sempre foste, e mais tarde ainda fizeste questão de te aperfeiçoares, não é fácil de encontrar. Talvez um dia, tenhas sorte e encontres alguém que albergue no teu peito tantas injustiças, como eu não fui capaz de fazer, tristemente denunciada pelas malditas das lágrimas.
     Não sei se sonhas comigo e com os nossos corpos nus, lado a lado… Não sei se te lembras das expressões que fazias sempre que te soltava um orgasmo… Mas também pouco me importa o que tu pensas!
    De vez em quando, ainda me pergunto se estou bem. Às vezes, minto e digo que sim, outras vezes sou tomada de uma estúpida honestidade e digo-te que não. A verdade é que nunca voltarei a estar bem, mas aposto contigo toda a eternidade que tudo farei por isso e que, enquanto sentir a consciência em paz, os progressos serão evidentes.
   Ainda acredito que o mais complicado de tudo será controlar esta vontade de fazer amor, de ter um corpo a libertar-me das tensões, de ser meticulosamente percorrida por uma língua e de beijar uns lábios doces como os teus.
   O meu coração comanda-me a vida, mas a razão tem a seu cargo as necessidades do corpo. Será uma questão de tempo até que me deixe sossegar e que não sinta a falta de certos pormenores. Será uma questão de muito tempo. Até lá, aposto que vou conseguir.
  

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