quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O desespero!


O mar batia fortemente nas rochas que formavam o precipício.
Ela, lá de cima, olhava o horizonte, segurando a barriga que transportava a nova vida, que dentro de três meses, choraria pela primeira vez.
As lágrimas caiam teimosamente, pelo rosto frio e pálido. Um arrepio subiu-lhe pela espinha. Deu um passo em frente. Olhou para baixo, onde as ondas do mar rebentavam contra os rochedos, formando espuma. A altura e o espectáculo que se via lá em baixo assustava qualquer um, mas a ela não. Determinada, avançou outro passo.
As lembranças vinham-lhe à memória, uma após outra. Quando ele se apaixonara por ela e lhe prometera casamento. Quando ele a beijava e lhe prometia aliança de ouro no altar. Quando ele a engravidara e partira no dia seguinte sem saber que ia ser pai. Nunca telefonara. Mas ela ainda o sentia no coração.
Estava a um passo da morte. Pedras caiam constatemente no azul do oceano. Respingos de água salgada, fria, molhavam-lhe a face juntamente com as lágrimas. O vento roçava-lhe a cara.
Alguém a chamou. Uma voz rouca, facilmente reconhecida. Era o pai. Não olhou. Continuou serena olhando o manto azul que se estendia à sua frente. A voz rouca voltou a chamá-la. Não olhou. Sentiu a mão forte do pai segurando o seu braço. Uma mão que a impediu de pôr fim à sua vida e à da criança que dali a uns tempos iria dizer:
 " - Papá!".

1 comentário:

  1. Texto estupendo! Tão grandiosa é sua sensibilidade. Adorei! Vou seguir. :*
    Um beijo!

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